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Quinta, 29 de janeiro 2026, às 19 horasConferência: Uma visão cósmica do capitalismo tardio por Joël Vacheron + Filme: Magic Sun, de Phill Niblock
Para Aníbal Quijano, “nada é menos racional, em última análise, do que a pretensão de que uma visão cósmica específica de uma determinada etnia deva ser tomada como racionalidade universal”.
Na mesma linha de pensamento Joël Vacheron argumenta que a exploração espacial universalizou uma visão da Terra e do cosmos que não é partilhada universalmente. Tal como as primeiras viagens transatlânticas, a invenção da máquina a vapor e a conquista do Oeste, a exploração material e a exploração do espaço exterior sempre foram historicamente enquadradas em narrativas que as apresentavam como uma expansão natural liderada por uma minoria em nome de toda a humanidade. Ao convidar-nos a “desver” uma seleção de imagens produzidas no contexto do programa espacial americano, esta apresentação explica por que razão essa cosmovisão foi decisiva na adoção generalizada de uma visão de mundo que perpetua a colonialidade no mundo pós-colonial.
A sessão contará ainda com a projeção do filme "Magic Sun" (1966-1968), de Phill Niblock.
O filme experimental do compositor, fotógrafo e cineasta Phill Niblock apresenta uma trilha sonora do líder de banda e visionário Sun Ra e membros da sua Solar Arkestra, incorporando imagens raras do conjunto em meados da década de 1960, quando a Arkestra estava sediada em Nova Iorque. O filme a preto e branco foi criado usando um processo negativo distinto e close-ups ultra-apertados das mãos e bocas dos músicos, tornando-se cada vez mais frenético à medida que as imagens mudam fluidamente de negativo para positivo. O resultado é um filme musical quase abstrato, editado com precisão meticulosa, ressaltando a autonomia da imagem e do som — exceto por um momento singular e mágico de sincronização no final do filme.Local: Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Idioma: Inglês.
Entrada gratuita.
Joël Vacheron é sociólogo e escritor radicado em Lisboa. É professor sénior e investigador na ECAL (Universidade de Arte e Design de Lausanne / HES-SO) em Lausanne, onde leciona antropologia visual e estudos de comunicação social. É cofundador do Centre Culturel Afropea e autor de "Cosmovisions : une étude visuelle de l’exploration spatiale" (Métis Presses, 2025).
Phill Niblock, "Magic Sun" (1966–1968)17 min, formato 4:3.16 mm transferido para ficheiro digital, preto e branco de alto contraste, som -
Sábado, 31 de janeiro 2026, às 11 horas na FMPEscuta ativa com Kalaf Epalanga
Todos os meses, a Fonoteca Municipal do Porto organiza uma sessão de Escuta Ativa, na qual um convidado é desafiado a escolher um ou mais discos da coleção do espaço para uma experiência de escuta e atenção conjunta. Em janeiro, o anfitrião desta sessão será o músico e escritor angolano Kalaf Epalanga, numa parceria com a Galeria Municipal do Porto, no âmbito da exposição "Recursões: uma cartografia de territórios inacabados".Local: Fonoteca Municipal do Porto (R. de Pinto Bessa 122 Armazém 12, 4300-427 Porto)
Entrada gratuita -
Sábado, 31 de janeiro 2026, às 15 horasApresentação do Manual Antirracista para as Artes e Educação, com UNA – União Negra das Artes
O Manual Antirracista para as Artes e Educação surgiu da necessidade de desacomodar pensamentos e práticas nas áreas da arte e da educação. Nesta sessão, Dori Nigro e Raquel Lima, em representação do Coletivo UNA - União Negra das Artes, irão partilhar com o público o processo em curso para a criação deste manual que busca ser, antes de tudo, um objeto esperançoso, antirracista, crítico e mediador de pontes entre a arte e a educação.
Dori Nigro é criador, performer, arte-educador e investigador, com passagem pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Desde 2007, dedica-se a práticas artísticas de cruzamento disciplinar. Possui doutoramento, mestrado e especialização no campo da arte contemporânea, práticas artísticas e arte/educação. É licenciado em pedagogia e bacharel em comunicação social/fotografia. Vive e atua entre Portugal e Brasil, dinamizando atividades colaborativas com artistas e comunidades locais. Cuida, com Paulo Pinto, da LÁRoyé, casa/atelier de partilhas afetivas, criativas e ancestrais, desenvolvendo investigações e criações no âmbito da prática artística e da arte/educação. É membro da União Negra das Artes (UNA).
Raquel Lima é poeta, arte-educadora, performer, ensaísta e artista transdisciplinar. É licenciada em Estudos Artísticos - Artes Performativas e investigadora de doutoramento em Estudos Pós-Coloniais, com um interesse particular em oratura, memória intergeracional, movimentos afro-diaspóricos e práticas contemporâneas de escapismo, abstração e cura. Tem apresentado o seu trabalho académico e artístico em vários países, nomeadamente nas Bienais de Veneza e São Paulo. Foi eleita uma das 100 personalidades negras mais influentes da lusofonia pela revista Bantumen e cofundou a associação cultural União Negra das Artes (UNA).
A União NEGRA das Artes é uma associação cultural que surge no âmbito da luta antirracista e da afirmação de negritude em Portugal, com ênfase nas diversas manifestações e debates em torno da reivindicação de direitos humanos, da descolonização do conhecimento e da valorização do legado artístico-cultural protagonizado por pessoas negras. A constituição da associação, em Abril de 2021, resulta da necessidade de uma estrutura que defenda os interesses específicos da negritude no setor cultural, atendendo às continuidades históricas do racismo colonial que mantém assimetrias profundas e dificultam a criação, fruição, acesso, produção, programação e, consequentemente, a representatividade negra no sector artístico em Portugal. Os seus principais objetivos são a promoção, elevação e fortalecimento da representatividade negra no campo artístico português, assim como o reconhecimento e a valorização do património imaterial da população negra em Portugal. O seu foco é contribuir para a elaboração de políticas de reparação e medidas de ação afirmativa ao nível das artes e da cultura, em articulação com artistas, movimentos sociais, entidades públicas e privadas.
Entrada gratuita
Fotografia de Joni Ricos -
Sábado, 7 de fevereiro, das 10 às 17 horasSeminário: Dentro e fora da escola - pensar o educativo e o artístico a partir de Elvira Leite
O encontro Dentro e fora da escola, programado por Amanda Midori e Matilde Seabra, propõe um mergulho nas reflexões de diferentes gerações atravessadas pela prática, pelo pensamento e pelo modo singular de ser de Elvira Leite nos diferentes contextos formativos em que esteve envolvida ao longo do seu vasto percurso. Ao longo de um dia, propõe-se compreender, em diálogo e partilha, a força da sua contribuição para a constituição de sujeitos que atuam nas artes e na educação da contemporaneidade, abrindo caminhos para repensar as próprias práticas no presente.
No período da manhã, Joaquim Azevedo e Milice Ribeiro dos Santos, que colaboraram com Elvira Leite, irão relembrar o que foram as políticas de ensino do país através da formação de docentes, implementação da Metodologia de Projeto na escola pública e na definição dos currículos dos cursos profissionais, nas décadas de 1980 e 1990. Por sua vez, Maria João Vicente – hoje atriz, dramaturgista e professora– irá partilhar vivências do quotidiano escolar, tendo como ponto de partida a sua experiência enquanto aluna da Escola Rodrigues de Freitas.
A tarde vai contar com a presença de Sofia Victorino, que irá partilhar a colaboração com Elvira Leite, ao longo de dez anos na coordenação do Serviço Educativo da Fundação de Serralves (2002-2011), assim como de Cat Martins, que coordena o Doutoramento em Educação Artística, e investiga no i2ADS sobre a história do presente da educação artística, desde a infância e criatividade, em Portugal. Já a Escola Imaxinada, fundada pelos artistas Salvador Cidrás e Vicente Blanco, irá apresentar o seu projeto educativo para a infância no campo das artes, da arquitetura e da filosofia, com base na Faculdade de Formação para Professores de Lugo e com ação numa rede de escolas públicas da Galiza.
Para terminar o dia, antes de uma visita final à exposição Aprender a ensinar, ensinar aprender com Elvira Leite, a equipa do coletivo BOA arts irá apresentar as atividades desenvolvidas nas oficinas O Espaço Entre, que decorreram entre dezembro e janeiro na Galeria Municipal do Porto.
Toda a informação do seminário disponível aqui.
Local: Auditório BMAG
Idioma: Português
Participação gratuita, aberta ao público geral, com inscrição através do email galeriamunicipal@agoraporto.pt.
- Certificação do Plano Nacional das Artes para docentes.- Certificado de participação no seminário para restantes participantes.
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7 de fevereiro, 2026Visitas guiadas às três exposições
Neste sábado, será feita uma visita guiada às exposições patentes na Galeria Municipal do Porto:Estado de espírito, de Mariana Caló e Francisco QueimadelaRecursões: uma cartografia de territórios inacabados, de Kiluanji Kia Henda, com Flávio Cardoso, Lilianne Kiame, Raul Jorge GourgelAprender a ensinar, ensinar a aprender, de Elvira Leite15:00: Visita em português
16:00: Visita em inglês
Participação gratuita -
Sábado, 14 de fevereiro 2026, às 17 horasDj set de Nazar
Para assinalar o último fim de semana de exibição de “Recursões: uma cartografia de territórios inacabados”, a Galeria Municipal do Porto apresenta o DJ set de Nazar.
Nascido em Angola, mas criado na Bélgica, após o fim da guerra civil angolana, em 2002, Nazar regressou ao país. Foi nessa altura que começou a produzir música, criando uma versão própria e única do kuduro angolano, que cunhou de "Rough Kuduro". Hoje radicado em Manchester, o seu mundo musical gira em torno da violência extrema, da injustiça e da omnipresença de um Estado repressivo durante e após a guerra civil, que durou 27 anos, ao mesmo tempo que explora a esperança, a resiliência e o orgulho num país devastado pelo conflito.
Entrada gratuita
Fotografia de Marieke Bosma -
Em contínuoExodus para escolas
Para participar no Exodus podem inscrever-se todas as turmas interessadas, através do e-mail galeriamunicipal@agoraporto.pt.Todos os percursos são realizados a pé.Local de encontro a definir.
Quinta e sexta, 10-13h e 14-18h. Duração: 120min -
Visitas-Pavão às ExposiçõesVisitas-Pavão às Exposições
Para participar nas Visitas-Pavão podem inscrever-se todas as turmas interessadas, através do e-mail galeriamunicipal@agoraporto.pt.Quartas, quintas e sextas-feiras, das 10 às 13 horas e das 14 às 18 horas.Duração: 90 min.
