Visitas de Estúdio 👁
Com vontade de descobrir, revisitar e aproximar-se da comunidade de artistas do Porto, a GMP lança as Visitas de estúdio 👁. De modo informal e curioso, a nossa equipa visita os ateliers e espaços de criação do Porto.

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A Piscina

Nas últimas décadas, a cultura urbana do Porto tem demonstrado a força e vontade para se ativarem espaços que vão ficando esquecidos na cidade. Já se fizeram exposições em quartéis devolutos ou debates em antigas salas de bilhar. Recentemente, um outro lugar improvável, uma piscina. Construída nos anos 30, foi esvaziada da sua função há alguns anos e, de novo, cheia com uma nova programação.
 
Em plena pandemia, quatro amigas ligadas à dança, ao teatro, e à produção de projetos com a comunidade, resolvem levar avante a ideia de criar A Piscina. Carolina, Eduarda, Lea e Maria Inês apresentam uma agenda com aulas de dança contemporânea e movimento para atores; workshops para famílias, yoga e escrita criativa. Em breve querem criar o primeiro espaço de trabalho para coreógrafos e performers.
 
A convocatória está lançada: “não se levem demasiado a sério, saiam da zona de conforto e tomem consciência da fisicalidade, da energia e do movimento dos vossos corpos”.

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Odair Monteiro

É entre negativos fotográficos, reveladores e sais de prata que encontramos grande parte da prática fotográfica de Odair Monteiro.
 
Nasceu em Cabo Verde e foi em Lisboa que estudou Ilustração e Fotografia. Mudou-se para o Porto há 7 anos e é em Campanhã, na encosta de Nova Sintra, que montou o seu estúdio de realização e de impressão. Ao longo dos anos, tem vindo a integrar diferentes projetos, como o Coletivo GMURDA, que tem vindo a explorar a performance, o som e o vídeo, e que apresentou a exposição “Trabalho Nenhum”, no espaço Rampa, em 2021. 
 
Fotografa, e por vezes filma, estruturas arquitetónicas devolutas, ou ruínas industriais, mas não só. Interessa-lhe uma espécie de intermitência no quotidiano da vida, sem ter de procurar um propósito para tal, ou até uma razão poética ou política para justificar o que vai criando. 
 

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Oficina Mescla

Em 2019, a Alexandra Rafael e o Tomás Dias tinham o mesmo sonho, o de criar uma oficina de gravura no Porto. É assim que surge a Mescla, fruto da troca de saberes e experiências entre gerações diferentes, mas com a mesma vontade de fazer e explorar mais.
 
Encontraram o espaço ideal no centro da baixa portuense. Conscientes do património industrial, reativam máquinas centenárias, não fossem as técnicas de impressão acompanhando a história há séculos. E como o saber não ocupa lugar, aqui se aprendem os mais diversos processos: da serigrafia, à calcografia, passando pela litografia, a xilogravura ou a linogravura. É bem-vindo quem queira experimentar, ou somente quem precise de espaço para pôr em prática os seus projetos. 

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Elvira Leite

Elvira Leite estudou pintura na FBAUP. Desde os anos 1960 que luta pela mudança de um país, na altura pobre e analfabeto, acreditando que a escola deveria ser complementada por práticas criativas e próximas da Arte.
 
Nos primeiros anos que seguiram a revolução de 1974, acompanhou os processos que promoviam melhores condições de vida e habitação, como o SAAL, concretizando projetos de desenvolvimento criativo no Bairro da Sé, no Porto. "Quem te ensinou? — Ninguém", é o nome da exposição que revisita o projeto e que está, também, publicada pela Pierrot Le Fou.
 
Nos anos 1990, integrou os primeiros serviços educativos de museus como o do MNSR e o da Fundação de Serralves. Escreveu, em co-autoria, livros sobre ensino artístico e também livros-jogo para crianças, famílias e escolas.
 
Hoje em dia, a sua energia contagiante e vontade em partilhar permanecem intactas. Ainda há muito para fazer e ensinar. "Nunca dei duas aulas iguais e, no entanto, as matérias eram as mesmas ao longo de muitos anos!".
 

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Gui Flor

Gui Flor descreve-se como uma artista “à procura de uma existência com o menor impacto no planeta e o maior impacto nas pessoas”, e assim o foi durante a nossa visita de estúdio, onde descobrimos, ao ritmo de uma longa conversa de fim de tarde, o seu profundo conhecimento de odores e sabores, texturas e temporalidades, sons e manifestações poéticas. 
 
O seu projeto “exercícios de florescimento”, vencedor do apoio do Criatório deste ano, entrecruza a ecossexualidade, a transfeminilidade e as relações de afeto através de uma exploração tanto pessoal e íntima, como profundamente atenta às questões vitais do presente, como as políticas de afeto, a consolidação das identidades de género e a necessidade de viver de modo harmónico e sustentável com o planeta. 
 

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João Pedro Trindade

 A escala do atelier de João Pedro Trindade  é a da cidade. Lá fora o campo de estímulos é tão maior, quase infinito, que o estúdio entre quatro paredes é onde se limam arestas e se testam e armazenam materiais. Como um íman, é atraído pelos pormenores mais impercetíveis das ruas, que só o olhar treinado antevê como campo de possibilidades.
 
Estudou pintura na FBAUP mas cedo concluiu que um só meio não seria suficiente. Também usa o cartão prensado, o gesso, o alumínio, o serrim. Trabalha em séries. Recolhe tapetes e passadeiras vermelhas das ruas e apresenta-as com a mesma dignidade de uma pintura. Resgata os papéis de alumínio descartados, de bombons, e grava neles o que o olho vê, mas não dá conta: grandes áreas de chão, de parede, pequenos detalhes, ou um qualquer objeto, todos eles prensados pela força do martelo.
 
João Pedro Trindade tem vindo a colaborar em projetos de divulgação cultural como a Painel, a Nartece e Sismógrafo, onde recentemente apresentou a exposição “Under the Rug”.
galeria

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Teresa Arêde

A prática de Teresa Arêde  desenrola-se a partir de duas linhas: a das ferramentas das artes—como o desenho, a fotografia, a gravura ou a escultura—e a da potência da voz, instintiva e singular, marcada pelo estudo musical clássico.
 
Um sem fim de imagens habitam o seu espaço de trabalho. Interessa-lhe repensar plasticamente o artifício de óperas barrocas como as de Händel ou Monteverdi e também de outros períodos, posteriores e anteriores, investigando as múltiplas leituras da história.
 
Conta-nos como a voz é matéria que se molda em diferentes formas, funcionando como "coluna vertebral para tudo o resto". Ainda que o canto acompanhe a humanidade, cabe à imaginação conceber o que não foi registado, escrito, nas paredes da Pré-história. E é no cruzamento com o que não se sabe que surgem as suas múltiplas ficções, conjeturas e arqueologias alternativas, exploradas em vídeo, áudio ou em cacos de barro e gesso.
 
Teresa Arêde estudou arte na Faculdade de Belas Artes da U. do Porto e no Royal College of Art e Canto Lírico na Guildhall School of Music & Drama.

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Rita Senra

Ao entrarmos no atelier da Rita Senra, sente-se o cheiro da tinta e das cascas de laranja que se espalham na mesa de trabalho. Entre os papéis coloridos, uns com listas e dobras, encontram-se os desbotados, marcados pelos anos. É nessa intermitência, a da passagem do tempo, que a sua prática se move, aceitando-o como é: necessário e sem bússola, sem prazo e sem a urgência da indústria ou do capital.
 
Prefere as matérias que parecem não ter mais lugar nos dias de hoje, seja pela sua aparente fragilidade ou falta de robustez: guardanapos, papéis esquecidos em papelarias já fechadas, sacos que já não têm uso, cascas de fruto. Dá-lhes, no seu devido tempo, a força e o caráter do material mais forte, mas não menos sensível, através de camadas de tinta em ritmos marcados, remates e suturas. Lembra o labor da costureira, que passa horas a cerzir, em compassos, mas sem o relógio no pulso.
 
Rita Senra é natural de Barcelos e mudou-se para o Porto, onde estudou pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Faz parte do Sismógrafo e participou recentemente no curso de Artes Visuais promovido pela Fundação Luso-Americana, no Arquipélago-Centro de Artes Contemporâneas, nos Açores.

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Landra

Landra, bolota, boleta. Filha do carvalho, da azinheira, do sobreiro. Resistente à industrialização, à globalização e à chamada modernização da agricultura, a landra manteve-se autónoma, alimentando outros animais que não os humanos e não sofrendo imposições genéticas.

Landra é também o nome que Sara Rodrigues e Rodrigo Camacho deram ao seu percurso de vida e de arte, feito na companhia das muitas formas de vida que os desafiam e ensinam a viver de modo harmónico, complexo e equilibrado com o mundo natural. 
 
Durante a nossa visita ao território onde vivem e trabalham, falámos de plantas, microorganismos e animais, de seca e caça, e imaginámos o contributo que a prática e metodologias da arte podem dar à criação de um modo de viver diferente. 

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Jiôn Kiim

Jiôn Kiim nasceu em Busan, na Coreia do Sul. Depois de passar por escolas de artes e residências em Dresden e Estugarda, na Alemanha, instalou-se no Porto há cinco anos.
 
O dia-a-dia é passado no Clube de Desenho, um atelier partilhado com outros artistas, que é também um espaço de exposição. A pintura e o desenho confluem naturalmente, recorrendo a pigmentos naturais, materializado à escala dos blocos de notas e cadernos diários, ou pela do chão e das paredes.
 
Os suportes vão do papel antigo e manchado, comprado em resmas, às réguas de soalho em madeira, que se tornam séries “que desafiam os antípodas do controlo, da disciplina, da ordem” e se vão tornando em biombos e fronteiras verticais no espaço do atelier. Enquanto espectadores, tentamos reconhecer símbolos e signos, mas a ambiguidade que advém desses gestos coíbe a interpretação, devolvendo-nos o caráter mais real da pintura.
 
 
 

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Matias Romano Aleman

Pinturas a óleo sobre papel, madeira e em caixas de fósforos, objetos empilhados, entre eles um corpo de vidro, cadernos, desenhos e papéis com notas escritas: estes são alguns dos fragmentos que compõem o cosmos caótico que define o atelier de Matias Romano Aleman.
 
Natural de Buenos Aires, vive no Porto desde 2020. Como um respigador, é nas ruas da cidade e nos objetos que encontra que busca inspiração para o seu trabalho, cruzando as memórias dos outros com as suas, aliadas à música que ouve e aos livros que lê. As peças que cria, sejam elas planas ou tridimensionais, revelam uma inquietação imanente e excêntrica, resultando em obras que têm tanto de real quanto de fantasia.
 
Paralelamente, criou a plataforma "Archivo de Listas Notas y Dibujos DE La Calle" (instagram: @archivodelistasnotasydibujos), onde partilha algumas das notas, listas, desenhos e cadernos que encontra, resultando num arquivo orgânico de mensagens anónimas, mas mundanas, em permanente crescimento.

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José Almeida Pereira

Na visita ao ateliê do José Almeida Pereira (Guimarães, 1979), localizado numa antiga galeria comercial no centro do Porto, somos imediatamente confrontados com um processo de criação imparável, mas lento, organizado espacialmente por infinitas camadas de pintura.
 
A sua prática revela uma obsessão pela apropriação de imagens, em particular as que reproduzem as grandes obras da História da Arte Occidental, às quais facilmente reconhecemos a autoria e localização nos grandes museus europeus. É a partir daí que o artista provoca e desafia as propriedades auráticas das grandes composições, recorrendo a distorções, fragmentações e anamorfoses, complementadas por processos tecnológicos de filtragem da imagem, traduzindo-se num estranhamento que inquieta a visão.
 
Contrariamente aos referentes utilizados, a pintura afirma-se aqui como um exercício de metalinguagem, onde tudo fica por dizer, por contestar, por resolver.

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Rita Castro Neves e Daniel Moreira

Dois artistas com percursos separados, Rita Castro Neves e Daniel Moreira, encontram-se em 2015 para formar um caminho comum que percorre múltiplas práticas como a fotografia, o desenho, o vídeo ou a performance. Traçam no território caminhos de pé posto, seguem os chocalhos dos animais, ouvem as histórias dos pastores, pernoitam em cortelhos, registam e recolhem elementos da paisagem: “de tanto observar, ouvir e desenhar somos como o transformismo dos humanos em animais e vegetação”.
 
Em 2022 criaram o espaço NEBLINA, no Porto, um espaço oficinal que também é de mostra pontual de exposições. Um pouco antes, em 2020, recuperaram a Escola da Macieira, nas montanhas de São Pedro do Sul, tornando-o um espaço casa-atelier onde recebem artistas para um projeto de residências focado nas questões do território, da natureza e do rural, na preservação ambiental e ecológica.

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Saber Fazer

Saber Fazer foi fundado em 2011 por Alice Bernardo, como um lugar oficinal e de criação que estimula, mal se entra, os sentidos: o cheiro das flores do linho, a textura das lãs resultantes da tosquia, ou as cores dos frascos com plantas tintureiras.
 
Apelando à disseminação de conhecimento sobre cada matéria-prima ou ferramenta, tudo integra um repositório maior que vai do levantamento ao registo, da coleta à produção. A partir de três ofícios principais—Lã, Seda e Linho—abordam-se questões estéticas e práticas de sustentabilidade económica, ambiental e social, numa plataforma de partilha entre aprendizes, artesãos e profissionais nas áreas de tinturaria natural, tecelagem, feltragem, cestaria e tapeçaria.
 
Saber Fazer tem lugar na Rua da Aliança 112-114, Porto e está aberta a todos que pretendam frequentar cursos e comprar matéria-prima ou ferramentas.

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Pedra no Rim

Fomos ao Bonfim visitar Pedra no Rim, um atelier de cerâmica criado por Fabrizio Matos e Israel Pimenta.
 
Através de um mapeamento político, social e emocional do bairro, esta dupla de artistas recolhe objetos abandonados e inusitados das ruas, cartografando cada local e registando cada pormenor.
Dos sapatos, naperons e perucas perdidas, aos ratos, gatos e pombos atacados por gaivotas, cabe ao barro eternizá-los, reproduzindo um atlas de memórias e mitologias urbanas, vivências e vícios locais.
 
O nome "Pedra No Rim" deixa antever a mistura entre o humor e o bizarro, num processo de criação autodidata onde a estratégia política emerge na produção e venda de cada peça. É o caso da série "Sapo Anti-Racista", fabricado em igual quantidade ao número total de votantes de extrema-direita na freguesia do Bonfim, revertendo parte da sua receita para a organização SOS Racismo.

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Vera Mota

Vera Mota é artista residente nos Ateliers Municipais do Porto.
 
Para além da formação em Belas Artes pela FBAUP, a dança contemporânea tem acompanhado o percurso de Vera Mota, informando e expandindo a sua prática. A "consciência performática do fazer" sublinha a relação íntima que explora com os materiais num jogo organizado de ritmos, conceitos e escalas onde o corpo delibera e por vezes se materializa.
 
A artista pensa o espaço expositivo e a relação entre as obras como uma coreografia dedicada, onde cada volume integra uma síntese de movimentos, muitas vezes corporizados em desenho.
www.veramota.com
galeria

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Tânia Dinis

Fomos ao atelier-casa de Tânia Dinis, não fosse a sua prática artística tão intimamente ligada à escala do doméstico, cruzando as memórias fotográficas e fílmicas da família, num universo diarístico que se revela a si próprio. 
 
A sua formação em Estudos Teatrais, na ESMAE, e um mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas, na FBAUP, conduziu o seu trabalho para as possibilidades do cinema, jogando com o movimento do filme, a estática da fotografia e os dispositivos de projeção. O material analógico, em diálogo com o passado, auxilia as perspetivas de memória e ficção, criando narrativas onde o tempo assume um papel preponderante.
 
Nas palavras da artista — “interessa-me o que não estás a ver, o que se pode construir e ficcionar a partir da imagem” — e é por entre as camadas, os planos sobrepostos e as lentes óticas que a história se escreve, ressignifica e transforma.  
www.taniasofiadinis.wixsite.com/tania

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Ruben Santiago

Esta semana visitámos o atelier do artista Ruben Santiago. Originário de Lugo, Galiza, e residente no Porto, Ruben Santiago interessa-se pela relação entre a alquimia e o simbolismo. 
Durante a nossa visita, contou-nos como tem vindo a materializar a transmutação cíclica da vida, criando obras em que as tradições simbólicas e conceptuais se intersectam num mundo antropogénico.
Nesta imagem vemos uma das 60 sementes de Baobá que utilizou na obra “Not what is cracked up to be”, em que homenageia as tradições pictóricas das comunidades de aborígenes australianos com as quais conviveu.

 
www.rubensantiago.net

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Cristina Mateus

Cristina Mateus  foi, durante muito tempo, uma artista-mulher num grupo maioritariamente feito de artistas-homens. É nessa altura que se aproxima da multimédia, atraída pelas exigências tecnológicas que a multidisciplinaridade desta linguagem artística impunha nos anos 90. O cinema de Kiarostami, de Agnés Varda e de Pedro Costa levam-na a perceber que o trabalho se faz fora do atelier, muitas vezes na estrada, a conduzir, ou no registo de uma caminhada. 
A rotina da investigação foi fundamental para perceber “que a noite é construtora e que o dia é de acumulação”. E é neste ciclo que os trabalhos são fotografias do equipamento que usa para recolher imagens, como as máquinas de filmar, e da escrita para o doutoramento, como o ecrã do computador. 
 
—"O trabalho artístico não está nos sítios onde se espera que esteja.”, diz-nos
 
Além de artista, Cristina Mateus é também professora na FBAUP. Aí, centra-se nos processos de criação de significados e sentidos, trabalhando na criação de uma escola de artes mais “leve”, adaptada a questões como a neurodiversidade e inclusão. 

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Letícia Maia

Qual a relação entre corpo, poder e performance? Esta questão tornou-se central no trabalho de Letícia Maia, artista que reside em Portugal desde 2019 e que articula a sua formação em “Artes do Corpo”, em São Paulo, com o projeto de mestrado em Artes Plásticas, pela FBAUP, no Porto.
 
É através da performance, mas também da fotografia, vídeo e objetos, que a artista explora “o corpo como problema”. Cruza exercícios e coreografias, desdobrando conceitos teóricos como o de “corpos-dóceis”, para questionar a construção social do corpo.
 
Das ações de Letícia disparam poéticas que nos desafiam a repensar o mundo e as suas normas. Talvez, até, “aprender a desobedecer”.

 
www.cargocollective.com/leticiamaia

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Tales Frey

Fomos ao atelier de Tales Frey no espaço Túnel, uma antiga gráfica em Campanhã, convertida num estúdio partilhado entre artistas.
 
A viver no Porto desde 2008, Frey recorre à performance como principal meio de expressão plástica e discursiva, cruzando o vídeo, a escultura ou a escrita. Alguns dos seus trabalhos mais recentes, como a performance colaborativa “Veste Única”, exploram sínteses estéticas sobre a noção de viver em coletivo, refletindo nas possibilidades de construção de um corpo comum. Tem vindo a explorar novos desafios conceptuais e estéticos, incluindo na sua produção artística uma dimensão documental, gráfica e sígnica.
 
É representado pela Galeria Verve, em São Paulo e pela Shame, em Bruxelas, e até ao dia 7 de maio, podemos visitar a sua exposição ”Indexxx” na Galeria Ocupa, no Porto.
http://ciaexcessos.com.br/tales-frey/

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Paralaxe

Do estudo dos planetas, à sismologia ou meteorologia, o núcleo de investigação PARALAXE explora os lugares alheios à prática artística, incentivando artistas a ocupar e repensar estes espaços.
 
Fomos ao encontro da Carolina Grilo Santos, Diana Geiroto e Luisa Abreu, que criaram o Paralaxe em 2019, contando já com uma segunda edição. A primeira, ocupou o Instituto Geofísico da Universidade do Porto, estando o segundo ciclo a decorrer no Observatório Astronómico Prof. Manuel de Barros, em Gaia.
 
Entre o Círculo Meridiano de Espelho e o Grande Telescópio, os artistas tornaram o território e o equipamento científico num laboratório cruzado que abrirá portas já no próximo dia 7 de maio às 17h00, com uma exposição dos trabalhos desenvolvidos em residência por Beatriz Sarmento, Bruno Silva, Carlos Mensil, Ece Canli, H0b0, Joana Ribeiro e Juliana Campos.

 
www.paralaxe.space

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Gata da Mata

Fomos ao encontro das Gata da Mata, um projeto de conhecimento e partilha sobre comida e territórios, que nasce do fascínio de Aija Repsa e Elīna Štoļde pela natureza e culinária.
 
Ao longo de vários anos, as duas cozinheiras “de formação e coração” foram acumulando saberes e partilhando experiências sobre plantas silvestres, cogumelos e bactérias.
 
Vindas da Letónia há cerca de 10 anos, foi nas praias do Norte que iniciaram uma nova investigação e recolha de algas atlânticas. Gata da Mata organiza percursos em horas de maré baixa, workshops de fermentação e publicações regulares sobre espécies vegetais, e têm vindo a estabelecer redes com a comunidade, através de projetos “faça-você-mesmo”, enraizados na vontade de mudar comportamentos de vida e hábitos alimentares, fomentando a ligação entre comunidade e biodiversidade.
 

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Thais de Menezes

Cor, palavras de ordem e Samba — assim é o atelier no Porto da artista Thais de Menezes.
 
A sua obra cresce em paralelo com a investigação histórica e plástica que desenvolve no Mestrado em História da Arte, na FCSH-Universidade Nova de Lisboa, em torno das diferentes dinâmicas da “construção do outro”. A partir das peças "Cabeça de preto", de Soares dos Reis, Thais questiona as narrativas hegemónicas da história da arte nas quais pessoas e corpos negros são capturados como categorias iconográficas.
 
A abordagem crítica e necessária de Thais cruza leituras interseccionais, feministas e descoloniais, propondo novas configurações e experiências. É o caso das suas pinturas "ORÍ de Preto"—sendo “ORÍ” um prefixo Iorubá que significa cabeça—com as quais contrapõe e desafia as representações negras, em contraste com a branquitude imposta ao longo da história.
 

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Clarice Cunha

Monumentos descartáveis, desdobramentos materiais e diálogos paradoxais, são alguns dos imaginários trabalhados pela artista Clarice Cunha. Natural de São Paulo, Brasil, vive no Porto desde 2019, onde articula, através de uma linguagem híbrida, a sua formação em Arquitetura e Urbanismo e o Mestrado em Artes Plásticas.
 
A partir de observações sobre o território urbano, a formação da paisagem e a materialidade das cidades, Clarice reflete sobre a presença humana e o modo como a sua intensa atividade tem alterado e explorado profundamente os ambientes urbanos e naturais.
 
De um processo de investigação marcado pela recolha e catalogação intensiva, resultam esculturas, instalações e cenografias, que nos remetem para um jogo metalinguístico sobre a falência do mundo, articulada de forma lúdica e simultaneamente crítica.
 
Em 2021, participou no projeto Anuário com a obra “Sondagem”, sendo o seu último projeto “Fábulas sobre a fauna urbana: sala de estar para gatos errantes", uma intervenção para a plataforma Entre Montra, no edifício Parnaso, Porto.


 
www.claricecunha.com.br
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Mariana Vilanova

Como pode a tecnologia tornar-se uma extensão do corpo e da memória? — Talvez seja esta uma das maiores questões que Mariana Vilanova aborda no seu trabalho.
 
Numa viagem digital pelos processos de simulação e reconstrução de imagens, a artista fala-nos sobre as manipulações da memória humana e artificial em peças como “Evoking a Simulated Past”, mas também das premissas do Cosmismo russo, com as quais trabalhou para a sua última exposição “Before and After Us”, no espaço Rampa.
 
A residir no Porto, Mariana Vilanova tem vindo a explorar um diálogo permanente entre espaço e tempo, refletindo sobre o impacto do digital na apreensão de informação e numa produção de imagens que fundem a representação do visível com a poética da escala.
 
www.marianavilanova.com
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Joana da Conceição

Camélias psicadélicas, ecos feministas da Antiguidade Clássica, mãos do Yoda com manicure, geometria delirante — estes são alguns dos fragmentos da obra multifacetada da artista Joana da Conceição.
 
Natural do Porto e a residir atualmente em Lisboa, após um periodo de residência em Nova Iorque, a artista tem uma prática sincrética, sendo também fundadora, com André Abel, dos Tropa Macaca, um dos duos musicais mais ativos no país.
 
Durante a nossa visita ao seu estúdio, numa antiga e pitoresca associação cultural em Lisboa, conversamos sobre o seu amor pelas formas e imaginários da pré-história, a sua relação entre imagens e sons, e a sua mais recente exposição, no Quérela, onde criou um ambiente intimista e cenográfico com pinturas e sons, que também visitamos.
https://joanadaconceicao.com/
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Alisa Heil

Fomos visitar "Tiresias Und Der Kleine Tod", a exposição/instalação da artista Alisa Heil no Espaço Mira. Partindo da mitologia grega de Tiresias, profeta cego de Apolo em Tebas, que durante sete anos foi transformado em mulher, Heil criou um ambiente imersivo e sensorial, onde os elementos materiais e as composições lumínicas, sonoras e olfativas nos envolvem, transformando a nossa experiência percetiva. A visita foi feita em conjunto com a curadora Fernanda Brenner, diretora artística da plataforma Pivô Arte e Pesquisa, em São Paulo.
 
Natural da Alemanha, Alisa Heil reside no Porto, trabalhando ocasionalmente sob o pseudónimo de Abraham Winterstein, uma conjugação dos nomes de solteira das suas duas avós. Heil interessa-se sobre a representação feminina na mitologia e cultura popular, refletindo-a através da sensorialidade dos materiais. Desde 2017 gere a programação do espaço de arte independente Kunsthalle Freeport, no Centro Comercial Stop.

 
www.alisaheil.net
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Samuel Wenceslau

“Mancha também é beleza”, ensina-nos Samuel Wenceslau. Artista originalmente de Nova Lima (Brasil) e atualmente residente no Porto, recebeu-nos na sua casa-estúdio-estufa que acolhe plantas e imagens de plantas, arquivos e cenografias, memória e descoberta, afetos e pesquisa. 
 
Durante a nossa Visita de estúdio, falámos sobre a sua relação com a botânica e descobrimos as nomenclaturas afetivo-formais que tem vindo a criar através de representações gráficas de plantas e musgos. No seu projeto “Studiolo Gráfico / Inventário Gráfico de Formas Naturais”, Samuel combina elementos da paisagem de Minas Gerais e do Norte de Portugal. 
 
Além de artista visual, Samuel é também a “Rainha da Sucata”, colecionando objetos abandonados nas ruas e integra o coletivo Kebraku.
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Paula Pinto

Visitamos o atelier da curadora Paula Parente Pinto, co-curadora da exposição "Que Horas são Que Horas / Uma Galeria de Histórias" que decorreu na Galeria Municipal do Porto em 2021. A sua pesquisa transdisciplinar centra-se na investigação histórica e na recuperação e ativação de arquivos.
 
Durante a nossa visita, Paula Parente Pinto mostrou-nos o trabalho que está a desenvolver em torno do espólio de performance do crítico de arte Egídio Álvaro. Os vários materiais que constituem o espólio, originalmente arquivado em Paris, foram trazidos para o Porto pela curadora, e estão agora a ser investigados, restaurados e catalogados. Serão em breve partilhados através de um programa de atividades no espaço RAMPA, um projeto desenvolvido graças a uma bolsa de apoio Criatório 2021.
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Svenja Tiger

Fomos ao Bonfim visitar o atelier de Svenja Tiger, artista participante na última edição do projeto Anuário.
 
Formada em figurinismo e belas artes, Svenja Tiger concebe o têxtil como uma forma de pintura em que celebra a multiplicidade dos corpos, dando forma às suas possíveis mutações.
Influenciada por fábulas, lendas populares, mitologias e ficções, a artista cruza o real e o folclore, o humano, o animal e o natural em obras em que o corpo é veículo, adorno e movimento.
 
 
 www.svenjatiger.com
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Pedro Moreira

Visitamos o Sarau Studio onde trabalha Pedro Moreira, cuja prática artística explora questões de identidade. Combinando teologia, mitologia e esoterismo, Pedro Moreira cria formas e seres imaginários que emergem organicamente dos seus vídeos, instalações, performances e esculturas em cerâmica.


www.pedmoreira.com
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Dayana Lucas

Dayana Lucas, em residência nos Ateliers Municipais, foi a primeira artista visitada num encontro que nos levou a conversar sobre o trabalho atual, que cruza o desenho, a escultura, a performance e o design gráfico. Natural de Caracas, Venezuela, Dayana Lucas reside no Porto há vários anos, onde recentemente lançou a Orinoco, um projeto editorial dedicado à publicação de livros de artista, cada um com uma identidade e formato próprio.
 
O artista Uriel Orlow, que tem vindo a desenvolver o workshop "Assembleia das Plantas" com o ping!, acompanhou-nos durante a visita.
 
 
www.dayanalucas.com
www.urielorlow.net

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